sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Inaugurado o Memorial Itabaianense

Nesta última quarta-feira, 28 de dezembro, sem dúvida, a Associação Cultural Memória Viva deu um passo marcante em toda a sua trajetória, desde sua fundação em maio/2010. Inaugurou o Memorial Itabaianense, realizando o seu objetivo maior.

Reuniram-se os amigos, sócios-fundadores e diretores em um evento de atrações, entre as quais, a mais significativa, o plantio de uma gameleira no mesmo local da antiga que tombou com mais de cem anos, e símbolo da cidade e da rua que leva popularmente, até hoje, o seu nome: Rua da Gameleira.

A árvore crescerá e viverá por numerosos anos, assim como o Memorial Itabaianense, com seu acervo já iniciado, formado por fotos, audiovisuais, documentos, livros, revistas, jornais, objetos, móveis e utensílios.

O patrimônio histórico, artístico e cultural de Itabaiana está sendo preservado no presente para ser eternizado no futuro.

A história de Itabaiana, terra de Sivuca, Zé da Luz, Otto Cavalcanti, Ratinho, Chico do Doce, Vladimir Carvalho e tantos outros não menos notáveis e ilustres, não morrerá. 

O Memorial de Itabaiana pertence ao povo.










quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Na história de Itabaiana, esse foi o cara

Todos nós itabaianense estamos de luto, parte desta vida um Cidadão que foi exemplo na historia de Itabaiana.

Sr. Arnaud Costa é o Itabaianense que merece honras em todos os méritos de ética, moral, inteligência, bravura e de Pai de Família.

Sr. Arnaud Costa foi de uma época de quando o Município de Itabaiana representava um potencial cultural e econômico que atravessava limites mostrando ao Estado da Paraíba e ao Brasil como se administra um Município promissor.

Sr. Arnaud Costa fez parte importante de um grupo de políticos sérios que amava e desejava o bem de Itabaiana, não media esforços para propagar sua terra, fosse na política, ou na cultura.

Sr. Arnaud Costa como se não bastasse toda essa luta que travava para engrandecer Itabaiana foi e continuará sendo através dos seus filhos e netos um grande escritor, um poeta e ético jornalista.

Sr. Arnaud Costa siga em Paz todo seu caminho de luz , o Sr. não morreu, apenas fez uma travessia para a eternidade e, através do seu legado que aqui fica também será eternizado.

Ao amigo Fabio Mozart junto a toda família, e especialmente a D. Iraci que mais sofrerá a ausência material do Sr.Arnaud, deixo os meus sentimentos.


Orlando Araujo.



Arnaud Costa, família.

Arnaud Costa, político.
Arnaud Costa, carnavalesco.

Arnaud Costa, rábula.




Arnaud Costa, escritor e desportista.



sábado, 12 de novembro de 2016

Onde Zé da Luz Verseja



Onde Zé da Luz Verseja

Sander Lee



Eu sou do Bar Teve Jeito
Sou da banca de confeito
Do Paraíba e seu leito
Calçamento em pedra bruta
Eu sou da feira de fruta
Frequentador do Triângulo
Cuja linha traça o ângulo
Equidistante da Gruta
Da velha Saboaria
Sou de um povo que lia
Que chorava e que sorria
Em apoio ao irmão
Do Colégio Conceição
Antecedendo o Curtume
Seu Adolfo e seu estrume
Vila Nova e Pereirão
Da terra de Artur Fumaça
Que tem coreto na praça
Que Pingolença, de graça,
Botou hora na igreja
Sou da terra benfazeja
Em que um índio dançava
Na pedra que o rio dava
Onde Zé da Luz verseja...

Sander Lee é ator, poeta, membro da Academia de Cordel do Vale do Paraíba





domingo, 25 de setembro de 2016

O Cartório Eleitoral e as eleições na antiga Itabaiana



Entre as muitas lembranças que guardo dos tempos de criança e adolescência e já da fase adulta, estão as ligadas às atividades do meu pai José Bandeira no Cartório do Registro Civil e Cartório Eleitoral de Itabaiana-Paraíba. Como escrevente ou como a filha que era convocada para auxiliar nos serviços, vivi acontecimentos por vezes inusitados.

Diversamente de hoje, em que os cartórios eleitorais têm sua sede e chefes nomeados e mantidos pelo Governo Federal, nem de longe se assemelhavam as antigas repartições, onde o cargo extra não era remunerado. Não havia computadores, tudo era feito à mão ou nas velhas Remington e a papelada a preencher, de cada eleitor, era extensa: um título, duas fichas e uma folha de votação. A goma arábica colava os quatro retratos 3x4 solicitados ao eleitor.

Até os anos 70 o cartório eleitoral era rodiziado, de dois em dois anos, entre o escrivão Zequinha Bandeira e os tabeliões Aderlindo Luiz e Zé Maria Almeida, cuja troca de sede se constituía um verdadeiro transtorno.  Todos os funcionários, entre eles, a perfeccionista Cleide Fonseca, a piadista Zilda Pessoa, as simpáticas e dedicadas Altair Araújo, Aderita Trajano e Neusa Santos,  e mais alguns ajudantes eram convocados para a mudança. Atravessavam inúmeras vezes a larga Av. Pres. João Pessoa abarrotados de papéis, material de expediente e máquinas, estas, mais pesadas, levadas nos antigos carros de mão feitos de madeira. Era um trabalho árduo, tanto para o serventuário que entregava o serviço, como para o recebedor, que precisava arrumar a casa de modo a conseguir um cantinho para acomodar tantos apetrechos no já superlotado cartório.

A cidade vivia uma acirrada disputa política entre PSD e UDN, partidos extintos pela ditadura militar e recriados como MDB e ARENA no começo dos anos 70. Com preferências políticas claras, Elisabeth Bandeira, Zé Bandeira e Zé Maria Almeida, quando titulares do cartório eleitoral, eram alvos de desconfiança e vigilância por parte dos políticos dos partidos contrários. Tanto assim que, em um dia de cartório repleto de pessoas, Dona Elisabeth dirigiu-se a uma mocinha que estava em pé na porta há muito tempo e perguntou-lhe se desejava algo, tendo ela respondido que estava ali “para fiscalizar, a mando do Dr. Josué”. A escrivã pediu para que voltasse e dissesse ao político que ele não tinha o direito de fiscalizar o e sim o Juiz Eleitoral. A poeta Zora Lira retirou-se e no mesmo dia a escrivã recebeu a visita do Dr. Josué Dias de Oliveira. Tiveram uma conversa educada e amigável e, assim, tudo ficou em paz entre a escrivã e o gentil cidadão e nobre advogado.
Antonio Rodrigues, escrivão eleitoral José Bandeira Júnior, lider político dr. Antonio Santiago, funcionárias Neusa Santos e Aderita Trajano e outros colaboradores. Na Serra do Pau d'Arco, Salgado de São Félix, inscrevendo eleitores. Foto acervo Memória Viva.

Um costume bastante curioso era o convite que o escrivão eleitoral recebia do partido político para “fazer eleitores”- expressão usada à época – em localidades rurais distantes, para onde seguiam o notário e alguns funcionários. O transporte era dado pelo político, bem como a alimentação. Lá pelos anos 50 acompanhei Zé Bandeira em uma dessas expedições.  Fomos a Mogeiro a convite de Zé Silveira que, em uma escola rural, comandava seus colonos e eleitores, que se enfileiravam em busca de suas inscrições.  Na residência dos Silveira nos recebeu, com educação e hospitalidade, a simpática senhora Dona Otávia, mãe do líder.

Naqueles anos os analfabetos não votavam, porém, a condição mínima para o primeiro título era que o postulante, pelo menos, assinasse o seu nome com firmeza e legibilidade. Dona Josefa Virgolino, conhecida na cidade como Zefa do Coentro, além de vender o produto que lhe deu o apelido, era exímia lavadeira e passadeira de roupas. Dona Josefa não foi aprovada em seu requerimento. Inconformada foi ao Dr. Mário de Moura Rezende, Juiz Eleitoral, para ele lhe dar uma nova oportunidade, no que foi prontamente atendida. Dr. Mário pediu que ela sentasse à mesa, deu-lhe papel e lápis e ditou: “Além, muito além daquela serra, que ainda azula no horizonte, nasceu Iracema.” E foi assim que José de Alencar contribuiu para que Zefa do Coentro perdesse a esperança de ser eleitora naquele ano.

Margaret Ligia Santiago Bandeira

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Itabaiana e a eleição municipal há 40 anos

A Memória Viva recebeu a doação de três fitas cassete com a gravação de um comício da campanha eleitoral de Itabaiana em 1976, há, portanto, 40anos.  Registrados, nas então revolucionárias  K-7,  criadas pela Philips em 1965, os discursos de alguns políticos do MDB. Falam o candidato a prefeito Cândido Inocêncio de Gouveia Neto (Candinho), os postulantes a vereadores Joao José de Lima (Doca da Sucam),  José Pedro da Silva e Edmilson Batista do Nascimento  e, encerrando o evento,  o deputado estadual Valdir Bezerra.

Com a ditadura militar o pluripartidarismo foi extinto e deu lugar a apenas dois partidos políticos:  a  Aliança Renovadora Militar – ARENA, conservador e de sustentação do governo, e o Movimento Democrático Brasileiro – MDB, opositor do regime.

Em Itabaiana –Paraíba, naquele ano de 1976,  depois de uma acirrada campanha, sagraram-se vencedores o Dr. Aglair da Silva para prefeito e o Sr. Fernando Cabral de Melo para vice-prefeito, candidatos pela ARENA 1.

E assim foi o resultado das candidaturas a prefeitos e vice-prefeitos:

ARENA 1 – Aglair da Silva e Fernando Cabral de Melo – 2.768 votos:
MDB 2 – Cândido Inocêncio de Gouveia Neto e Arnaud Silva Costa – 2.030 votos;
MDB 1 – João Pedro da Silva ( Joca Pedro) e Sebastião Tavares de Oliveira (Babá) – 1.591 votos;
ARENA 2 – Emir Nunes da Silva e Antonio Carlos Rodrigues de Melo – 1.112 votos.


Na mesma campanha de 1976, comício do candidato a prefeito Aglair da Silva. Presenças de José Bandeira, José Maroja, José Carlos de Almeida, Socorro Costa e Edilson Andrade,  estes três últimos,  candidatos à vereança. Foto cedida por Edilson Andrade.




sábado, 16 de julho de 2016

Nossa Senhora do Carmo, padroeira de Guarita



Hoje, 16 de julho, é a data dedicada a Nossa Senhora do Carmo, padroeira do distrito de Guarita, em Itabaiana - Paraíba.

Com uma linda igreja dedicada à Virgem, construída pela família do Dr. Odon de Sá Cavalcanti, Guarita foi palco de belas celebrações religiosas organizadas por Dona Dolores Sá, que manteve às suas expensas, a manutenção e conservação do templo.

Aniversário de casamento dos meus pais José e Elisabeth Bandeira, estive muitas vezes, durante minha infância e adolescência, naquela igreja,  assistindo às missas do dia 16 de julho.

Com parte dos mortos da família Sá enterrados na igreja, Dona Dolores não teve autorização do bispo da Paraíba para, também, fazer daquele santuário, sua última morada. 

Margaret Ligia Santiago Bandeira


Foto do altar-mor no dia 16.07.1999 e o oferecimento de Dona Dolores.