quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Um inesquecível fotógrafo itabaianense.

Hoje, 19 de agosto, é o dia do fotógrafo e, mais uma vez, volto a relembrar um fotógrafo que tirou minhas primeiras fotografias.

Esse fotógrafo é um marco na história de Itabaiana. Refiro-me ao Sr. Wilson que dedicou toda sua vida à fotografia. Quem de nós itabaianenses não foi por ele fotografado, quer fosse nas fotos 3 X 4 que sempre precisávamos para o colégio, para as emissões de documentos e até mesmo para andar com elas na carteira para dar as namoradas.

Parece que estou vendo, em todos os eventos lá estava Sr. Wilson sempre vestido de branco com a máquina fotográfica pendurada no ombro e com aquele caminhar balançando, sempre brincando com todos que por ele passava.

Quando fotografando era muito exigente em manter os fotografados na pose perfeita e no ângulo certo para o flash, ia e voltava várias vezes para arrumar o fotografado e, em fotos de grupos, a preocupação era muito maior.

Muitas das fotos das décadas de 50 a 80 de todos os eventos de Itabaiana foram por ele clicadas.

Lembro que muitos de nós gostávamos de tirar fotos individuais no studio dele.  Recordo que na época existia uma mania de se tirar foto esticando o pescoço de lado, eu até cheguei a tirar e hoje quando vejo vem um pouco de riso.

Sr. Wilson mantinha na parede externa do studio, que ficava no interior da casa de Neo Ananias, um painel de fotos que batia em eventos ou as individuais das pessoas e colocava para que todos que passassem admirasse.

A ansiedade para vermos essas fotos era grande e elas demoravam um pouco a serem postas, porque na época as revelações eram artesanais.

Sr. Wilson onde estiveres te parabenizo e rogo a Deus a Paz em teu descanso eterno.


Lando Araujo.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Memória Viva recebe acervo de Abelardo Jurema


Registro com as fotos e documentos doados.



Visitou a Memória Viva-Memorial Itabaianense, na tarde do dia 09 deste mês,  o escritor e jornalista Abelardo Jurema Filho para doar parte do acervo do seu pai Abelardo Jurema.

Acompanhado da esposa Maria Lúcia, da irmã Nara  e de Ladjane Paschoal, Abelardinho doou fotos, documentos, cartas e publicações, rico material que conta a trajetória do ilustre filho de Itabaiana.

Na vida pública Abelardo Jurema  foi prefeito de Itabaiana e de João Pessoa, secretário do Interior e Justiça do Estado, senador, deputado federal e ministro da justiça.


Na memorável e descontraída tarde, o acervo foi recebido por Margaret Santiago Bandeira, presidente, e por Luciano Correia Marinho, criador, sócio fundador e colaborador da Memória Viva.

Abelardo e Nara mostram a foto do avô Manoel Germano de Araújo, primeiro prefeito de Itabaiana.

Na galeria dos prefeitos, Abelardo, Nara e Maria Lúcia com a foto de Abelardo Jurema .

sábado, 5 de agosto de 2017

As Craibeiras de Itabaiana


Aquelas duas craibeiras gigantes, da Praça Desembargador Heráclito Cavalcanti, em Itabaiana, que no mês de Dezembro se cobriam de flores côr de ouro e projetavam uma sombra acariciante e morna e em seus ramalhos os pássaros enamorados iam fazer os seus ninhos, caíram no chão aos golpes impiedosos do machado de um Prefeito desalmado, precisamente no mês de setembro quando se comemorava o Dia da Arvore.

Recordo-me que nos idos de 1915 quando residia em Itabaiana, aquelas duas craibeiras, agora abatidas cruelmente, já eram majestosas e davam Flores douradas. E cresciam para o Alto querendo tocar as estrelas com a sua majestade silenciosa. E escrevi uma crônica sob o título Arvore dourada, publicada no "Jornal", hebdomadário de propriedade do dr. Odilon Maroja, tecendo um hino panteísta àquelas árvores tão boas, onde se ia, debaixo de sua copa, conversar com as moças elegantes da época: Ducinha Batista, Olga Araújo, Araci Coutinho, Agripina Ferreira, Nenen Batista, Afrinha, Lindinha Henriques, Ducinha e Carminha Coélho, Lizete e Guiomar Rezende, Severina e Heloiza Almeida, que andavam bolindo com o coração dos rapazes. E era ainda, na magia da sua sombra, que se reuniam Batista Lins, Zuza Ferreira, Alcebiades Gonçalves, Aurélio Ferreira, Aquilidones Guimarães, Euclides Ferreira, João Florindo, Regis Velho, José Maria Menezes, Melquíades Montenegro, Severino Moura e outros, a juventude, dourada daquele tempo, recitando versos, discutindo política e literatura. Era debaixo da sua florada côr de ouro, ouvindo a voz dos segredos, que se realizava o encontro poético dos namorados. E as preferidas passavam, elegantes e sedutoras, atraindo os corações com a chama do seu olhar...

Gozando a frescura daquele sombreiro florido brincavam os alunos do Colégio de "Seu" Maciel, os meninos Olívio Maroja, Zé Lins do Rêgo, que naquele colégio era conhecido por Doidinho, Melquíades Montenegro, o latinista, e outros, que são hoje figuras de relêvo no mundo das letras do Brasil. E as meninas do Colégio de Dona Mariêta, como um bando de borboletas traquinas, folgavam também naquela sombra incendiada de luz ao pino do meio dia, como num refúgio confortador.

Quando o Prefeito anunciou a sua resolução, de derrubar aquelas duas árvores portentosas, plantadas há quase um século, quando Itabaiana era um pouso de boiadeiros para a feira de gado grosso, as matronas venerandas da cidade, dona Ritinha Coelho, dona Hosana Cordeiro e outras, zelosas da tradição e da beleza da sua terra, mandaram pedir ao Edil que não praticasse tão hediondo vandalismo.

E, diante desse gesto cheio de emoções e de um justo sentido ecológico, que fez o Prefeito? Teve um sorriso de mofa, e recebeu aquela mensagem com um ar maligno... E as árvores quase seculares, foram abatidas perversamente...

Que mal faziam aquelas árvores? ... Eram majestosas e Acolhedoras. Desapareceram para sempre da paisagem ambiental de Itabaiana, e com elas, a apoteose de suas flores cor de ouro, em dezembro. Se foram, como aquelas figuras antigas: Neco Germano, João Lins, Odilon Maroja, Antônio Coitinho, Augusto Coêlho, o Juiz Azevedo, o promotor Samuel, o velho Lucinho, Major Nenéu, Joca Paula, Seu Tonho Menezes, o Chico Soter, e tantos outros, que só ao lembrar-los se enche meu coração de saudade... Há apenas uma diferença dentro da realidade: enquanto aquelas figuras antigas que talvez tivessem visto as craibeiras nascerem, ou crescerem e darem flores e sombra, entraram na Eternidade serenamente, conduzindas pela mão da Morte, e aquelas árvores, coitadas, desapareceram aos golpes do machado, como criminosos abatidos por um carrasco. Os seus troncos, os seus galhos, os seus ramos foram servir de combustível, atirados à bosa das fornalhas pedindo lenha, das padarias da rua do carretel...

Na Índia, aos tempos dos vedas, as suas divindades mandavam decepar as mãos daqueles que criminosamente abatia uma árvore que dava frutos ou flores, sombra amena e aconchegante ou carinhosamente abria a sua copa para o ninho das aves...

O eminente Sr Pedro Gondim, Governador eleito da Paraíba, não deve se desaperceber de tão estúpida depredação...

                           Henrique de Figueiredo, Caruaru, Outubro de 1960.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Meu inesquecível amigo Garçom


          Minha historinha de hoje vai para um itabaianense brabo todo, de uma cara feia danada, mas de um coração maior do que ele, incapaz de dizer um não a um pedido e, como era engraçado ele dizer de imediato, “ vou fazer isso não, ta doido” quero confusão pra cima de mim não, bastava a gente dizer, vai, faz isso, me ajuda, e ele se desmanchava todo para nos atender, era reclamando e atendendo.

          Eu era jovem, como muitos que aqui se faz presente. Dia de festa ou não sempre estávamos no Itabaiana Clube, às vezes jogando dominó, dama e outros jogos e, lá estava ele no barzinho no fundo do clube fazendo alguma coisa. De vez em quando gritava: vamos acabar com esse jogo aí, preciso fechar o clube. Nem ligávamos, fazíamos que não ouvia, ele aumentava o tom, a gente nem ligava, aí ele terminava vindo brincar conosco.

         Dia de festa trabalhava feito um louco no bar, sempre nervoso, mas nunca deixava de nos atender e, era esse jeitão que nos fazia cada vez gostar dele. Esse querido itabaianense que lembro com muito carinho e saudade é o meu, o nosso inesquecível amigo “ Garçom” Nelson, que para irritá-lo, carinhosamente nós o chamávamos de mamão furado.

          Nelson era um cara tão bacana, que dia de festa até se arriscava para atender as jovens, veja o que ele fazia. As meninas lindas e donzelas iam ao baile com os pais ao lado, se mostravam sempre quietinhas, bebidas só refrigerantes, outro tipo nem pensar. Os pais sentiam-se felizes porque as filhas de repente se mostravam alegres curtindo a festa, rindo muito, se balançando na cadeira e querendo muito ir para o salão dançar. Ai, entra o Nelson na historia, os refrigerantes para elas servidos era dosado de rum, pedidos que elas antecipadamente faziam ao Nelson na surdina e, mesmo se arriscando, mas como disse acima tinha o coração maior do que ele, não deixava de atender. Esse era o meu querido Nelson, garçom que fez parte da historia de nossa Itabaiana. Esteja onde estiver Nelson, meu abraço e minha saudade.


Orlando Araujo.

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Aracílio Araújo "A máquina de fazer forró"




          Aracílio Gomes de Araújo, nasceu  em Itabaiana no dia 12 de junho de 1950, na rua Heroína Maria Cleide, antiga Rua do Rio. Filho de Severino Gomes da Silva(o popular Biu da Barraca) e de Iracema Araújo da Silva, foi o 11º filho de uma próle de 20 irmãos. Na infância, estudou na Escola João Fagundes de Oliveira, que funcionava na antiga União de Artistas e Operários. Torcedor fanático do União Esporte Clube, chegou a ser jogador do seu  time do coração. Seu primeiro emprego em Itabaiana foi como motorista do ex-prefeito Severino Ramos da Silva(Galego).

          Aos 21 anos, em 1971 mudou-se para o Rio de Janeiro, anos depois retornou para a sua terra natal, depois mudou-se para o estado do Mato Grosso, logo após para João Pessoa e em seguida, em maio de 1979 mudou-se para o Recife, fixando-se em Olinda,  onde todo o seu talento veio à tona. Para difundir  o seu trabalho, passou a integrar o elenco de Artistas Pernambucanos como compositor. Gravou com Alceu Valença no CD intitulado "Forró de Todos os Tempos", assinando cinco de suas obras. No dizer de Alceu Valença, o compositor e cantor Aracílio Araújo "é uma formidável máquina de fazer forró".  De fato, desde 1971, quando deixou a sua terra natal, não parou de emplacar as suas composições na gravação dos mais renomados artistas nacionais, como o próprio Alceu Valença, Elba Ramalho, Fagner, Marinês e sua Gente, além de artistas de sucesso regional como Flávio José, Alcimar Monteiro, Maciel Melo e muitos outros.

          As músicas de sua autoria que mais se destacaram foram: "Eu quero ver você dizer que sou ruim", "Forró de Olinda", "Coco do Rala Coco", "Forró Calangueado" e "Essa menina" na voz de Alceu Valença,  a música "Forró do Chic-tac" na voz de Fagner e Elba Ramalho e "Deixa o Rio Desaguar" com Félix Porfírio e Flávio José, que virou o hino do movimento pela transposição do rio São Francisco.

          Aracílio não é apenas um compositor. Com uma indefectível performance de voz ritmada, tem conquistado plateias em praças públicas por onde tem se apresentado, acompanhado de sua banda, Forró Sem Fronteira. A presença de palco e a divisão perfeita da melodia têm suscitado elogios e referências insuspeitas de críticos da imprensa pernambucana. Aracílio Araújo também conquistou o 1º lugar no Forró Fest 200, realizado no Estado da Paraíba, com uma de suas composições - "Minha Bandeira".

         Outras músicas de Aracílio que também tiveram grande destaque foram: "Amor não é brincadeira" na voz de Genival Lacerda, "Remelexo, Swing, Suor" na voz de Marinês, "Pra todo mundo" e "Novilha rainha" na voz de Flávio José, "Maracatuando no Forró" na voz do Trio Nordestino, "Mão de Vaca" e "Cheirinho dela" na voz de Pinto de Acordeon, e "Forró Calangueado" na voz de Teca Calazans.

         E foi através da música, que Aracílio encontrou uma forma de homenagear a sua querida terra, "Itabaiana é meu canto" uma música que recorda sua infância e o passado da cidade que ele tem orgulho de representar por onde passa.

Fonte: Homenagem a Aracílio Araújo feita pela Loja Maçônica Duque de Caxias nº 14, de Itabaiana - PB, em um evento realizado no dia 19/08/2011 no Itabaiana Clube. Com algumas informações a mais ditas pelo próprio Aracílio em entrevistas. 

Para ouvir a música "Itabaiana é meu canto" clique no link abaixo:
Aracílio Araújo - Itabaiana é Meu Canto

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Itabaiana na Exposição Internacional de Turim na Itália


Em 29 de abril de 1911, o município de Itabaiana, pertencente à então Parahyba do Norte, representando o Brasil na Europa, conquistou a medalha de honra internacional, referente ao título de melhor produtor de couro do mundo. O torneio foi disputado em Turim, na Itália.
A Primeira Exposição Internacional de Turim foi realizada entre os meses de abril a outubro de 1911, em comemoração ao cinquentenário do Reino da Itália. O evento chamou à atenção de milhares de visitantes, contando com a presença do rei Vítor Emanuel III, de monarcas, das mais altas autoridades do reino e representantes de vários países, dentre eles o Brasil, que possuía dois pavilhões de exposições, localizados às margens do rio Pó.
O jornal “A União”, em 28 de setembro de 1913, publicou uma ampla matéria sobre a comenda recebida pelo industrial Antônio Firmino, da cidade de Itabaiana, nos seguintes termos:
“A indústria de couro surgiu sob os melhores auspícios, pela dedicação e esforço do inteligente industrial Antônio Firmino da cidade de Itabaiana. O preparo de peles de animais para calçados, representados pelos exemplares enviados pelo senhor Firmino e Cia., mereceram do jury da exposição de Turim uma justa recompensa. Nos mercados italianos, belgas e franceses este gênero encontrou o melhor acolhimento. ”
O prêmio foi singularizado em uma placa de bronze e com alto relevo. Na medalha, vê-se escrito, em italiano, a frase: “ESPOSIZIONE INTERNAZIONALE DELLE INDVSTRIE E DEL LAVORO’. Torino MCMXI. – ANTONIO FIRMINO & CIA. PARAHYBA DO NORTE. A foto anexada à postagem diz respeito à medalha, que encontra-se em meu acervo pessoal.

Sonaldo Vital de Oliveira