terça-feira, 22 de novembro de 2016

Nota de esclarecimento

A Associação Cultural Memória Viva existe em Itabaiana – Paraíba desde 2010. É uma associação sem fins lucrativos e não recebe nenhuma verba, seja municipal, estadual ou federal, nem contribuição dos seus sócios. Com diretoria legalmente constituída, tem seus estatutos e documentos registrados em cartório e inscrição na Receita Federal.

A sua atividade principal é o resgate e preservação da memória e história itabaianense e o seu objetivo a implantação do memorial da cidade.

A Memória Viva possui hoje um pequeno, mas já valoroso acervo formado por móveis, objetos, livros, quadros, fotos e documentos históricos.

A Memória Viva vem sendo procurada por professores e estudantes do município, pesquisadores da Paraíba e de outros estados interessados em conhecer nossa história e em busca de dados para fundamentar trabalhos escolares e universitários.

Apesar de se sentir gratificada por essa procura de informações, a Memória Viva muito pouco pode fazer. Não possui sede para que seus documentos e objetos sejam organizados, catalogados e arquivados e expostos. Todo o seu acervo está distribuído nas residências dos seus diretores.

E agora que surge, através do Projeto de Lei Nº 477/2016, de 20.10.2016, do Poder Executivo Municipal, que autoriza a doação do prédio nº 2 da rua Antonio Ananias, a oportunidade para instalação da sede da associação cultural,  forma-se na cidade, por pessoas, inclusive ativistas culturais, uma campanha contrária, difamatória e agressiva.

Convém tornar público que o referido Projeto de Lei restringe o uso do imóvel à implantação do memorial dentro do prazo de 2 (dois) anos e, caso isso não seja cumprido, o prédio será revertido ao patrimônio do município. Outro item preceitua que o prédio só poderá ser vendido com a autorização prévia da Câmara de Vereadores.

Para dirimir quaisquer dúvidas, os interessados na verdade ou os espalhadores de mentiras encontrarão o Projeto de Lei com os vereadores, a quem, obviamente, o documento foi enviado.


                                    Margaret Ligia Santiago Bandeira
                                                               Presidente

sábado, 12 de novembro de 2016

Onde Zé da Luz Verseja



Onde Zé da Luz Verseja

Sander Lee



Eu sou do Bar Teve Jeito
Sou da banca de confeito
Do Paraíba e seu leito
Calçamento em pedra bruta
Eu sou da feira de fruta
Frequentador do Triângulo
Cuja linha traça o ângulo
Equidistante da Gruta
Da velha Saboaria
Sou de um povo que lia
Que chorava e que sorria
Em apoio ao irmão
Do Colégio Conceição
Antecedendo o Curtume
Seu Adolfo e seu estrume
Vila Nova e Pereirão
Da terra de Artur Fumaça
Que tem coreto na praça
Que Pingolença, de graça,
Botou hora na igreja
Sou da terra benfazeja
Em que um índio dançava
Na pedra que o rio dava
Onde Zé da Luz verseja...

Sander Lee é ator, poeta, membro da Academia de Cordel do Vale do Paraíba





domingo, 25 de setembro de 2016

O Cartório Eleitoral e as eleições na antiga Itabaiana



Entre as muitas lembranças que guardo dos tempos de criança e adolescência e já da fase adulta, estão as ligadas às atividades do meu pai José Bandeira no Cartório do Registro Civil e Cartório Eleitoral de Itabaiana-Paraíba. Como escrevente ou como a filha que era convocada para auxiliar nos serviços, vivi acontecimentos por vezes inusitados.

Diversamente de hoje, em que os cartórios eleitorais têm sua sede e chefes nomeados e mantidos pelo Governo Federal, nem de longe se assemelhavam as antigas repartições, onde o cargo extra não era remunerado. Não havia computadores, tudo era feito à mão ou nas velhas Remington e a papelada a preencher, de cada eleitor, era extensa: um título, duas fichas e uma folha de votação. A goma arábica colava os quatro retratos 3x4 solicitados ao eleitor.

Até os anos 70 o cartório eleitoral era rodiziado, de dois em dois anos, entre o escrivão Zequinha Bandeira e os tabeliões Aderlindo Luiz e Zé Maria Almeida, cuja troca de sede se constituía um verdadeiro transtorno.  Todos os funcionários, entre eles, a perfeccionista Cleide Fonseca, a piadista Zilda Pessoa, as simpáticas e dedicadas Altair Araújo, Aderita Trajano e Neusa Santos,  e mais alguns ajudantes eram convocados para a mudança. Atravessavam inúmeras vezes a larga Av. Pres. João Pessoa abarrotados de papéis, material de expediente e máquinas, estas, mais pesadas, levadas nos antigos carros de mão feitos de madeira. Era um trabalho árduo, tanto para o serventuário que entregava o serviço, como para o recebedor, que precisava arrumar a casa de modo a conseguir um cantinho para acomodar tantos apetrechos no já superlotado cartório.

A cidade vivia uma acirrada disputa política entre PSD e UDN, partidos extintos pela ditadura militar e recriados como MDB e ARENA no começo dos anos 70. Com preferências políticas claras, Elisabeth Bandeira, Zé Bandeira e Zé Maria Almeida, quando titulares do cartório eleitoral, eram alvos de desconfiança e vigilância por parte dos políticos dos partidos contrários. Tanto assim que, em um dia de cartório repleto de pessoas, Dona Elisabeth dirigiu-se a uma mocinha que estava em pé na porta há muito tempo e perguntou-lhe se desejava algo, tendo ela respondido que estava ali “para fiscalizar, a mando do Dr. Josué”. A escrivã pediu para que voltasse e dissesse ao político que ele não tinha o direito de fiscalizar o e sim o Juiz Eleitoral. A poeta Zora Lira retirou-se e no mesmo dia a escrivã recebeu a visita do Dr. Josué Dias de Oliveira. Tiveram uma conversa educada e amigável e, assim, tudo ficou em paz entre a escrivã e o gentil cidadão e nobre advogado.
Antonio Rodrigues, escrivão eleitoral José Bandeira Júnior, lider político dr. Antonio Santiago, funcionárias Neusa Santos e Aderita Trajano e outros colaboradores. Na Serra do Pau d'Arco, Salgado de São Félix, inscrevendo eleitores. Foto acervo Memória Viva.

Um costume bastante curioso era o convite que o escrivão eleitoral recebia do partido político para “fazer eleitores”- expressão usada à época – em localidades rurais distantes, para onde seguiam o notário e alguns funcionários. O transporte era dado pelo político, bem como a alimentação. Lá pelos anos 50 acompanhei Zé Bandeira em uma dessas expedições.  Fomos a Mogeiro a convite de Zé Silveira que, em uma escola rural, comandava seus colonos e eleitores, que se enfileiravam em busca de suas inscrições.  Na residência dos Silveira nos recebeu, com educação e hospitalidade, a simpática senhora Dona Otávia, mãe do líder.

Naqueles anos os analfabetos não votavam, porém, a condição mínima para o primeiro título era que o postulante, pelo menos, assinasse o seu nome com firmeza e legibilidade. Dona Josefa Virgolino, conhecida na cidade como Zefa do Coentro, além de vender o produto que lhe deu o apelido, era exímia lavadeira e passadeira de roupas. Dona Josefa não foi aprovada em seu requerimento. Inconformada foi ao Dr. Mário de Moura Rezende, Juiz Eleitoral, para ele lhe dar uma nova oportunidade, no que foi prontamente atendida. Dr. Mário pediu que ela sentasse à mesa, deu-lhe papel e lápis e ditou: “Além, muito além daquela serra, que ainda azula no horizonte, nasceu Iracema.” E foi assim que José de Alencar contribuiu para que Zefa do Coentro perdesse a esperança de ser eleitora naquele ano.

Margaret Ligia Santiago Bandeira

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Itabaiana e a eleição municipal há 40 anos

A Memória Viva recebeu a doação de três fitas cassete com a gravação de um comício da campanha eleitoral de Itabaiana em 1976, há, portanto, 40anos.  Registrados, nas então revolucionárias  K-7,  criadas pela Philips em 1965, os discursos de alguns políticos do MDB. Falam o candidato a prefeito Cândido Inocêncio de Gouveia Neto (Candinho), os postulantes a vereadores Joao José de Lima (Doca da Sucam),  José Pedro da Silva e Edmilson Batista do Nascimento  e, encerrando o evento,  o deputado estadual Valdir Bezerra.

Com a ditadura militar o pluripartidarismo foi extinto e deu lugar a apenas dois partidos políticos:  a  Aliança Renovadora Militar – ARENA, conservador e de sustentação do governo, e o Movimento Democrático Brasileiro – MDB, opositor do regime.

Em Itabaiana –Paraíba, naquele ano de 1976,  depois de uma acirrada campanha, sagraram-se vencedores o Dr. Aglair da Silva para prefeito e o Sr. Fernando Cabral de Melo para vice-prefeito, candidatos pela ARENA 1.

E assim foi o resultado das candidaturas a prefeitos e vice-prefeitos:

ARENA 1 – Aglair da Silva e Fernando Cabral de Melo – 2.768 votos:
MDB 2 – Cândido Inocêncio de Gouveia Neto e Arnaud Silva Costa – 2.030 votos;
MDB 1 – João Pedro da Silva ( Joca Pedro) e Sebastião Tavares de Oliveira (Babá) – 1.591 votos;
ARENA 2 – Emir Nunes da Silva e Antonio Carlos Rodrigues de Melo – 1.112 votos.


Na mesma campanha de 1976, comício do candidato a prefeito Aglair da Silva. Presenças de José Bandeira, José Maroja, José Carlos de Almeida, Socorro Costa e Edilson Andrade,  estes três últimos,  candidatos à vereança. Foto cedida por Edilson Andrade.




sábado, 16 de julho de 2016

Nossa Senhora do Carmo, padroeira de Guarita



Hoje, 16 de julho, é a data dedicada a Nossa Senhora do Carmo, padroeira do distrito de Guarita, em Itabaiana - Paraíba.

Com uma linda igreja dedicada à Virgem, construída pela família do Dr. Odon de Sá Cavalcanti, Guarita foi palco de belas celebrações religiosas organizadas por Dona Dolores Sá, que manteve às suas expensas, a manutenção e conservação do templo.

Aniversário de casamento dos meus pais José e Elisabeth Bandeira, estive muitas vezes, durante minha infância e adolescência, naquela igreja,  assistindo às missas do dia 16 de julho.

Com parte dos mortos da família Sá enterrados na igreja, Dona Dolores não teve autorização do bispo da Paraíba para, também, fazer daquele santuário, sua última morada. 

Margaret Ligia Santiago Bandeira


Foto do altar-mor no dia 16.07.1999 e o oferecimento de Dona Dolores.









segunda-feira, 4 de julho de 2016

A primeira vez que fui na rua

Eu me lembro muito bem
Isto já faz muitos anos
Quando mamãe disse a mim,
Menino vamos dormir
Para de noite não dá sono
Eu estou com sono não
Se não for dormir agora

A noite não vai embora
Pra festa da Conceição.
Então ai fui dormir
Com uma grande ansiedade
Pela primeira vez
Ia ao centro da cidade
Deu seis horas me arrumei
E a hora era chegada
Botei o pé na estrada
Veja o que aconteceu...
Mas antes quero pedir
Um pouco de atenção
Onde foi comprada a roupa
Daquela ocasião:
Minha calça foi comprada
Na loja de João Mazu
Na loja de Antônio Tiano
Me compraram um Conga Azul
Lá em Seu Félix Canela

Compraram meu suspensório
Na Campinense e Casa Almeida
O resto dos acessórios
Não esquecendo a camisa
Era uma toda de lista
Foi lá nas Lojas Paulista.


Orlando Otávio, poeta de Itabaiana-Paraíba.