sábado, 26 de maio de 2012

Sivuca por Orlando Otávio


  “Os seus dedos passeavam
Em teclados em preto e branco,
Com timbre agudo e sinfônico, 
Como o gorjear de um Curió,
As águas do rio sorriam
E as mangueiras dançavam,
Em um só “clave de sol”!
Nasciam os primeiros acordes
Do menino dos Tió”...

Orlando Otávio (Primo) 

26 de Maio. Sivuca e Itabaiana aniversariam hoje.


Itabaiana foi emancipada em 26 de maio de 1891. Trinta e nove anos depois ela nos daria de presente, brotado das margens férteis do Rio Paraíba em Campo Grande, Severino Dias de Oliveira, o Mestre Sivuca. Músico, maestro, compositor e arranjador, um dos maiores músicos do Brasil. Sivuca faria hoje 82 anos de idade. Partiu para a morada dos Deuses da Música, mas sua arte permanecerá viva na lembrança de brasileiros e estrangeiros e, sobretudo, no coração dos seus conterrâneos.


 LP "Sivuca at  the Village Gate",de 1973, 
Vanguard \Copacabana.



SUAS COMPOSIÇÕES  




A história se repete (Sivuca / Paulo Tapajós)
Acalanto para Juliana (Sivuca / Chiquinho do Acordeon)
Adeus, Maria Fulô (Sivuca / Humberto Teixeira)
Alagamar (Sivuca / Glorinha Gadelha)
Amor verdadeiro (Sivuca / Luiz Bandeira)
Aquariana
Arapuã fazendo mel (Sivuca / Paulinho Tapajós)
Arco-íris (Sivuca / Glorinha Gadelha)
Aurora boreal (Sivuca / Luciano de Castro)
Bailado (Sivuca / Paulinho Tapajós)
Barra vai quebrando (Sivuca / Glorinha Gadelha)
Bate, tome, toca e cai (Sivuca / Glorinha Gadelha)
Batucada
Berimbau
Brejo das freiras (Sivuca / Glorinha Gadelha)
Cabaceira, mon amour
Cabaceira, mon amour
Cabelo de milho (Sivuca / Paulinho Tapajós)
Caboré molhado (Sivuca / Glorinha Gadelha)
Cada um torce como pode
Canção que se imaginava (Sivuca / Paulinho Tapajós)
Canção Piazzolada (Sivuca / Glorinha Gadelha)
Cantador latino (Sivuca / Paulo César Pinheiro)
Capoeira poeira (Sivuca / Glorinha Gadelha)
Casa amarela
C'er e mar
Cheirinho de mulher (Sivuca / Glorinha Gadelha)
Choro baixo (Sivuca / Luiz Bandeira)
Conto de fadas (Sivuca / Paulinho Tapajós)
Dançando em Pipirituba (Sivuca / Glorinha Gadelha)
Dino pintando o sete cordas (Sivuca / Glorinha Gadelha)
Doce doce (Sivuca / Glorinha Gadelha)
Energia (Sivuca / Glória Gadelha)
Entardecendo
Eu gosto desse moço (Sivuca / Glorinha Gadelha)
Estranho vanerão (Sivuca / Glorinha Gadelha)
Estrela guia (Sivuca / Paulo César Pinheiro)
Fava de cheiro (Sivuca / Glorinha Gadelha)
Feijoada
Feira de Itabaiana (Sivuca / Glorinha Gadelha)
Feira de Mangaio (Sivuca / Glória Gadelha)
Feira de São Cristovão (Sivuca / Glorinha Gadelha)
Fogo-pagô (Sivuca / Humberto Teixeira)
Folião ausente
Forró bachiano (Sivuca / Armandinho)
Forró chorado (Sivuca / Glorinha Gadelha)
Forró da bicharada (Sivuca / Paulinho Tapajós)
Forró e frevo (Sivuca / Glorinha Gadelha)
Forró em Santa Luzia (Sivuca / Glorinha Gadelha)
Forró na gafieira (Sivuca / Glorinha Gadelha)
Forró praieiro
Frevo sanfonado (Sivuca / Glorinha Gadelha)
Furiosa de Quipapá (Sivuca / Glorinha Gadelha)
Guararema (Sivuca / Glorinha Gadelha)
Guerra das andorinhas (Sivuca / Glorinha Gadelha e Afonso Gadelha)
Homenagem à Velha-Guarda
Imaginação (Sivuca / Afonso Gadelha e Ana Maria Durveen)
Imburana pau-de-abelha (Sivuca / Glorinha Gadelha)
It Might Have Been (Sivuca / D. Speropoles)
Jazz tupiniquim (Sivuca / Glorinha Gadelha)
João e Maria (Sivuca / Chico Buarque de Holanda)
Lamento do morro
La pluie sur la mer
Les joies du matin (Sivuca / Glorinha Gadelha)
Macho e fêmea (Sivuca / Paulinho Tapajós)
Mãe África (Sivuca / Paulo César Pinheiro)
Mother Africa's day (Sivuca / Oscar Brown Jr. )
Mogeiro de cima, mogeiro de baixo (Sivuca / Afonso Gadelha)
Much as I love you (Sivuca / Norman Shobey e Oscar Brown Jr. )
Músicos e poetas
Nosso encontro (Sivuca / Hermeto Pascoal)
No tempo dos quintais (Sivuca / Paulo Tapajós)
Nunca mais eu vi esperança (Sivuca / Glorinha Gadelha)
O baile de Bio Laurinda (Sivuca / Glorinha Gadelha)
O dia em que El Rey voltou à terra de Santa Cruz (Sivuca / Paulo Tapajós)
Pedras de fogo (Sivuca / Luciano de Castro)
Poema a Madrogda
Pro que der e vier (Sivuca / Paulinho Tapajós)
Quadrilha do bacurau (Sivuca / Afonso Gadelha)
Que par seria (Sivuca / Glorinha Gadelha)
Rabo de fita (Sivuca / Chiquinho do Acordeon)
Recado da Bahia
Reunião de tristeza
Rosinha
Sábado em Jaboatão (Sivuca / Glorinha Gadelha)
Samburá de peixe miúdo (Sivuca / Glorinha Gadelha)
Sanhauá (Sivuca / Glorinha Gadelha)
Sanfona e realejo
São João de Sapoti (Sivuca / Glorinha Gadelha)
Som Brasil
Sonho de neve (Sivuca / Paulinho Tapajós)
Sound of samba
Sylvia
Tás cochilando, Zé? (Sivuca / Glorinha Gadelha)
Te pego na mentira (Sivuca / Glorinha Gadelha)
Tributo a Nelson Ferreira
Um tom para Jobim (Sivuca / Oswaldinho do Acordeon)
Vale do Rio do Peixe (Sivuca / Glorinha Gadelha)
Vou vida afora
What is a friend (Sivuca / Norman Shobey e Oscar Brown Jr. )
Xanana (Sivuca / Glorinha Gadelha) 

domingo, 6 de maio de 2012

Doce presente.




A Memória Viva foi presenteada, para compor o seu acervo, com uma agenda de 1959 que pertenceu à Senhora Néo Ananias. Nela a Professora Néo, de saudosa memória, anotava suas receitas culinárias preferidas. 

A preciosidade nos foi doada pela Educadora Telma Lopes, a quem agradecemos a gentileza.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Fotografia e Memória VIII

Inauguração da Praça Epitácio Pessoa em 1950 pelo prefeito Luiz Paulino da Silva. Presentes ao descerramento da fita, entre outros,  as professoras Maria Menina Marinho e Carminha Bione, Sr. Daciano Alves de Lima, Padre Antonio Costa (pároco da cidade), Sr. Olívio Luiz da Silva e seus filhos Luiz Antonio e Olivio Filho.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Aniversário de inauguração do Grupo Escolar Padre Ibiapina de Itabaiana.



Neste dia 24 de abril será o aniversário de 94 anos de inauguração do Grupo Escolar Padre Ibiapina de Itabaiana, criado pelo Decreto nº 892, de 29.01.1918, do governador Francisco Camillo de Holanda.

Em seu livro Itabaiana-Sua Hisrória-Suas Memórias – 1500-1975, o escritor Sabianiano Maia descreve: 

“A sua inauguração ocorreu a 24 de abril de 1918, passando a funcionar com três cadeiras: a masculina, sob a regência de José Soares de Mendonça, auxiliado por Melchiades Montenegro; a feminina, dirigida por Severina Lins de Almeida, coadjuvada por Judith da Cunha Carvalho Paiva e a mista, por Carmem Holmes. O educandário foi dirigido primeiramente pelo ser professor José Soares de Mendonça – 28 de abril de 1918 – 19 de novembro de 1920; como segunda diretora teve Carmem Holmes – 21 de novembro de 1920 – 21 de maio de 1930, e teve como terceira dirigente, a professora Eulina de Gouveia Henriques Malheiros. (...) O Grupo Escolar Pe. Ibiapina tem uma alta significação para Itabaiana, por ter sido o primeiro a ser criado, construído e instalado em todo o interior do Estado da Paraiba.”

O Grupo Escolar Padre Ibiapina, que funcionou por longo tempo no atual Colégio Dom Bosco, foi a primeira instituição em que lecionou a respeitada professora Severina Paes de Araújo, “Dona Nini”, nomeada, em 1948, pelo então Secretário de Educação, Dom Carlos Coelho.

O Padre José Antonio de Maria Ibiapina nasceu em Sobral, no Ceará, em 1806. Depois de se formar em Direito e ter sido Juiz e Deputado Federal, se ordena padre e passa a se dedicar exclusivamente à Igreja. Exerceu uma importante carreira missionária e por isso é considerado “o maior missionário do Nordeste”.  Morreu em 1883, aos 77 anos de idade.





quinta-feira, 19 de abril de 2012

Itabaiana e a Juventude de 1960.

                 Conjunto Arco-Iris:  Célia Albuquerque, Gracinha Dantas, Josete Trajano, Lourdinha Almeida,  
Rosa   Guerra e Margaret Bandeira.


Era a década de 1960, o mundo passava por importantes mudanças sociais. Nós brasileiros jovens da época  tivemos que  lutar para impor nossa personalidade  perante uma atual sociedade arcaica e preconceituosa em todos os aspectos, agregando a essa luta a  intolerância da Ditadura Militar de 31 de março de 1964, onde  maníacos ditadores obrigavam  todos os cidadãos  serem capachos patriotas de  um Pais traído. A juventude reagiu, muitos jovens  foram vitimas de torturas até morte, mas nunca recuaram até a retomada da democracia.

No âmbito social, os jovens deram inicio a sua liberação dos tabus morais,  começaram  enfrentando as intransigências dos pais que até então, nós , os filhos,  tínhamos que ser como eles desejavam  e não como gostaríamos de ser. Os conflitos eram fortes, muitos saíram de casa em busca do seu próprio caminho, outros de personalidade submissa se acomodaram  e ficaram a espera das mudanças que no futuro também vieram a usufruir.

Até então, nós homens tínhamos quer manter  nosso vestuário na forma padrão, ou seja, calça, camisa e sapatos sempre sociais, em cores claras ou escuras de tecidos lisos, predominava o  tecido tropical , o brim de algodão e o linho. O corte dos cabelos era padrão,  semelhante ao que hoje usa os jovens quando serve o exercito. Até as novidades que surgiam tinha que obedecer a esse  padrão , senão , não faria sucesso de vendas, bom exemplo disso foi o lançamento das camisas “volta ao mundo”. Para as mulheres, principalmente as jovens solteiras que simbolizava a pureza  e tinha que se manter virgem para o casamento,  as exigências eram bem maiores. O vestido nunca poderia ter decote que mostrasse o colo dos seios,  modelos com braços expostos acima do cotovelo nem pensar, as saias obrigatoriamente tinha que estar muito abaixo do joelho e bem largas, vestidos justo ao corpo e calças comprida era fora de cogitação.. A maquiagem tinha que ser bem discreta, batom vermelho nos lábios era uso exclusivo de prostitutas. Só era exagerado uma coisa,  os penteados, nunca vi  tanto cabelo armado e duro com o uso de uma mistura de breu com álcool. Tive namorada que até lã de aço usava embutido nos cabelos para armar o penteado. 

Durante a década de 1960, as manifestações dos jovens, principalmente no mundo ocidental, através dos grupos musicais  e de  seus  grandes eventos,  dos  hippies, dos estudantes em luta por seus direitos democráticos , principalmente aqui no Brasil em decorrência da Ditadura Militar, acendeu a chama da coragem da juventude em enfrentar com dignidade todas as opressões dos tabus sociais e impor sua própria personalidade.

Diante desse contexto, nós homens demos inicio ao uso de cabelos longos,  da calça LEE ( atual Jeans),  tão censurada , proibida e criticada  pela moralidade da época, a  bermuda e a  camisa colorida surgiram, as calças sociais eram justa  do joelho para cima e se alargavam  para baixo, tornado-se  conhecida como boca de sino, os sapatos  sobem em saltos e são chamados de cavalo de aço. Na outra ponta as mulheres entram com tudo que tem direito,  lançam a mini-saia cujo cumprimento  ficava  um palmo acima do joelho, usam  também a calça LEE  com camisetas sem mangas,os decotes dos vestidos ficam cada vez mais provocantes , exploram a maquiagem e se libertam para escolher o homem com quem deseja casar. 

Eu vivi essa década  na minha saudosa Itabaiana/PB, vi e participei de tudo isso, e guardo com muito orgulho  a lembrança de um grupo de corajosas jovens que enfrentaram os preconceitos  e a língua  das fofoqueiras  que viam malicia em tudo, criaram um conjunto musical instrumental /vocal  chamado  "Arco-Iris” , e com muito talento subiram  ao palco e abrilhantaram as festas da  cidade. Acredito que esse conjunto não fez registro oficial na época, mas tenho quase certeza que foi o único com formação totalmente feminina  daquela década  no Nordeste, e quem sabe até mais além.

Valeu Arco-Íris, dancei  com a suavidade do seu som no Itabaiana Clube.

Orlando Araujo



Rita de Cássia Gomes deixou um  comentário sobre a  postagem "Itabaiana e a Juventude de 1960.":


Orlando Araújo, para mim meu amigo Lando (rs). Descreveu essa época de uma forma que me fez retrosceder no tempo e voltar de uma maneira intensa, aos melhores anos da minha vida. Conjunto Arco-Íris, minhas amigas, em especial uma, que eu acompanhei toda sua trajetória feliz e do sofrimento, ocasionado pela maldita doença que a fez sofrer o que não merecia, por ser a douçura que era. Amiga Rosa, te vi vibrando de alegria com o coroamento.do teu imenso amor por Erix Amorim (Nêgo), que já foi te encontrar no infinito, com a chegada da tua única filha Elsie Ellen. Mas também te vi, te consumindo de dores num leito de hospital. Jamais me esqueço o teu pedido a mim, numa das vezes que estava contigo no hospital. Era o 1º dia de aula dela e me pedistes que fosse até a tua casa a preparasse com a fardinha e a trouxesse ao hospital para que pudesses vê-la. O fiz, mas ficou gravado na minha alma, aquele momento. Como chorei! Presto hoje a minha homenagem expressada na minha saudade! Que estejas tocando nos ceus ao lado de anjos iguais a ti. 

 Bernadete Vieira da Rocha deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Itabaiana e a Juventude de 1960.":

Que saudades das amigas do "Arco Iris", das festas de Itabaiana e dos belos momentos que viví nessa cidade encantadora!