Na tarde da última quinta-feira (04), alunos do 3º ano do ensino médio
do Colégio Dom Bosco de Itabaiana, visitaram o Memorial Itabaianense.
Acompanhados do Professor João Batista, os alunos conheceram um pouco da
história da cidade através de fotografias e do acervo disponível no memorial. O
Professor João Batista parabenizou a Associação Cultural Memória Viva pela
iniciativa e disse que essa foi a primeira de muitas de suas turmas que ainda
irão visitar o local.
terça-feira, 9 de maio de 2017
domingo, 7 de maio de 2017
ITABAIANA DOS MEUS TEMPOS DE MENINO E DE RAPAZ II
Melchíades Montenegro em 1923
A cidade tinha dois jornais: “O Município” de propriedade da
prefeitura mas que não travava de política e “O Correio” de João de Lima. “O
Município” teve diversos diretores. Lembro-me do erudito Carneiro Monteiro, do
saudoso Jurema Filho, de José Jurema. Posteriormente, já na influência do dr.
Odilon Maroja, teve como diretor o dr. Henrique Figuerêdo. Era noticioso,
literário e conservador. Batista Lins, que fazia a parte social, quando queria
o terno de casimira bem passado a ferro, publicava a notícia do aniversário de
Zé Pernambuco. “O Correio” debatia assuntos econômicos e financeiros, fazia
crítica sobre teses políticas. Era liberal. Sua parte literária resumia-se na
publicação dos sonetos de Osório Muniz, precursor esquecido da poesia
futurista:
“A tarde quando o sol vai aquecendo
Os seus raios deslumbrantes e
abrasadores,
Eu sinto a desdita fatal do amor
E as borboletas com seus abanos.”
Zuza Ferreira, alfaiate e poeta, cultivava o gênero clássico.
Uma vez dedicou um soneto a certo bacharel solteiro que estava passando uma
temporada em Itabaiana. Tinha o título: O Celibatário. Quase há um desgosto,
porque o doutor entendeu a princípio, que celibatário era nome feio, que tinha
sido insultado, gratuitamente. Itabaiana teve também os seus oradores, especialistas
em brindes de aniversário, batizados e casamentos. Manoel Tanoeiro – “a moça
mais véia da mesa é a estrela darva”. Nunca houve uma moça que quisesse aceitar
o título sideral. O Mergulhador, apelido de um antigo escafandrista – “sinto
que tou subindo três paaarmos de chão acima. Eu espiava e não via o prodígio da
levitação. Os doidos de Itabaiana eram diferentes dos outros. Nem obscenos nem
perigosos. Apenas cômicos e engraçados, eram disputados nas rodas de calçadas.
Joquinha fazia a cara do Cons. Afonso Pena, muito mais parecida com a do
Presidente Eurico Dutra e repetia uma acusação do promotor público, dr. Paiva,
em um júri celebre da cidade. Chico de João Lucindo, um “hercules quasimodo”
que pegava dez arroubas na cabeça, tato ou quase como mudo, como Joquinha,
recitava um sermão do frei Gaudioso que ele ouvira numas Santas Missões, no
interior do Bacamarte. Guedes com a ideia de apostolado, pregava princípios de
moral teológica e distribuía, entre as crianças que sempre tinha ao pé de si,
as esmolas que lhe davam espontaneamente. “Sinhá” Joaninha, fanhosa, pequena e
corcunda, só perdia o juízo quando a chamavam de “Macaca ôca”. Recordo os
boêmios e seresteiros de Itabaiana, Antonio Afonso, João Cézar, Zero Maciel,
Toinho do Piston. As serenatas, o violão de João Pulcherio, o saxofone mágico
de Severino Rangel (Ratinho). Por falar em música, não posso esquecer o piano
obtuso de d. Dondon Prazim. Recordo ainda as anedotas impagáveis de Nestor
Lucena, de matar de rir e livre de censura. As histórias hilariantes de Eugenio
Carneiro e Batista Lins; as piadas notáveis do major Joca Paulo; a “gentileza”
com que “seu” Palú, campeão invicto de gamão, despachava a freguesia; o
testamento de Judas, primeiro trabalho jurídico de Laudelino Cordeiro; as
besteiras de “seu” Sila. As cocadas moles de Luzia, os roletes de d. Catarina.
Os banhos de rio, pulando da “pedra grande” da cadeia velha, no meio da fina
flor da molecagem, na certeza de levar uma surra quando chegasse em casa e não
ir à noite ao cinema de Chico Sóter. Por falar nesse homem, sinto que Itabaiana
já não tenha dado um testemunho de sua gratidão ao mais esforçado e heroico dos
obreiros do seu progresso material. Chico Sóter chegou ali numa cadeira. Quase
morto. Reviveu. Acostumou-se com a moléstia, ou melhor, dominou-a, casou-se
numa das famílias mais distintas da terra. Foi um revolucionário, no sentido
construtivo do termo. Ninguém foi mais ativo e trabalhador do que ele.
Itabaiana tem a honra de ser a primeira cidade nordestina que primeiro usou a luz
elétrica. Teve cinema ao mesmo tempo que o Recife. Mecânico admirável e
inventivo genial, Chico Sóter fez de Itabaiana uma cidade americana. Parece que
eu o estou vendo – pequeno, magro, barba de três dias, cabelos sobre a testa,
saindo por baixo do chapéu do Chile, inquieto, operoso, formidável. Francisco
Sóter é uma das impressões mais fortes do meu tempo de menino e de rapaz.
Melchíades
Montenegro, Recife, 27 de agosto de 1948.
Fonte: Áurea Montenegro - Engenho Jurema
Fonte: Áurea Montenegro - Engenho Jurema
sábado, 29 de abril de 2017
ITABAIANA DOS MEUS TEMPOS DE MENINO E DE RAPAZ
Melchíades Montenegro em 1923
O destaque excepcional que Itabaiana
conquistou, de subito, com a visita da muito nobre e culta senhora duquesa de
la Rochefoucauld, fato maravilhoso só possível por artes de berlinques e
berloques desse Assis Chateaubriand, Mefistófeles autêntico que não deixa uma
alma sossegada desde o velho Egito e toda a Europa Ocidental até os quatros
extremos do Novo Continente, fez com que eu me decidisse a realizar um desejo
amadurecido - escrever uma série de crônicas ligeiras sobre a inesquecível
Itabaiana das minhas recordações de menino e das minhas saudades de
adolescente. Nascido no município dos Palmares, fui para lá com dois anos de
idade. Ali chorei de medo e revolta contra a primeira carta do ABC; fiz a minha
primeira comunhão; vesti a primeira calça comprida e tive a minha primeira
namorada, aliás, a menina mais bonita da cidade. Ali descansei as cinzas, para
mim, sagradas dos meus queridos pais, de minha avó paterna e do meu tio e
padrinho Francisco Montenegro. Formado em Direito voltei a Itabaiana e entrei
"no rol dos homens sérios". Decerto estava escrito que era ali que eu
teria de encontrar a outra, a melhor metade da minha vida, a dedicada e heroína
companheira de minhas vicissitudes. Tenho voltado lá, de visita aos parentes
afins. São romarias penosas que magoam o coração, porque fazem que eu sinta
cada vez mais distante, mais irreal, assim como um sonho feliz, aquela
Itabaiana que o Dr. Flávio Ribeiro Coutinho dizia ser a segunda cidade do
Brasil, depois do Rio de Janeiro. De fato, Itabaiana naquele tempo era o melhor
lugar do mundo, um paraíso com muitas Evas e Adãos. Vivia-se suave, alegre e
inocentemente, como se Deus já houvesse julgado a gente e decidido que
merecíamos o gozo, as delícias de uma bem aventurança perene. Mas nem sempre
fora assim. O milagre era devido a dois homens: o cônego Tranquilino, no
domínio espiritual e o Des. Heráclito Cavalcanti, na esfera política. Itabaiana
sentiu e viveu a Democracia. O governo municipal era uma penitencia, uma
devoção propiciatória, um sacrifício cívico. O prefeito não era o homem que
podia fazer o bem e o mal, proteger ou perseguir. Seu dever era ser bom. E
ninguém se afastava desta linha. Nada recebia do erário, antes pagava do seu
próprio bolso as despesas com o aformoseamento ininterrupto da cidade. O
orçamento era de vinte contos anuais, mas em todo 24 de maio devia ser
inaugurado um novo serviço público importante. As ruas pareciam salas de
visita, pelo seu asseio; o serviço de limpeza e higiene tornou Itabaiana a
cidade sanatório ou a Petrópolis agreste e tépida dos que buscavam cura ou
repouso restaurador. Havia os que iam simplesmente por prazer, para desfrutar o
éden itabaianense. O general Aguiar, arrastando os filhos já casados Paulo e
Orlando. O general Leitão, com a casa cheia de moças e rapazes. O cel. José
Borba, Lulú de Maré, Daniel de Sirigi, Cezinha de Bujari, o cel. João de Moura,
pai do saudoso Dr. Moura. Zé Cesar de Santa Tereza, o Barão de Suassuna,
Valfredo Pessoa, o cel. José Garcia, Dr. Miguel Araújo, os drs. Loureiro, pai e
filho, toda essa nobre gente então higida e forte, procurava Itabaiana, pagava
uma fortuna por três meses de uma casa ou ficava no hotel de D. Sinhá ou no de
D. Chiquinha, sentindo-se tão bem como se estivesse na melhor hospedaria. Não
eram apenas o clima e o passadio a atração de Itabaiana. Era também a sua
sociedade. A distinção da família Itabaianense, a hospitalidade de seus lares,
a euforia de sua gente, a elegância de maneiras, o bom gosto no trajar, a
simplicidade e compostura dos seus maiores, o policiamento e a brandura de suas
autoridades. Até os quinze anos eu pensava que ninguém queria ser prefeito de
uma cidade, que não havia nenhuma vantagem nisso. Naquela época houve muitos em
Itabaiana, porque quem não fosse rico de verdade não aguentava mais que um ano,
sob pena de ficar de tanga e chapéu de jornal. O cargo era de nomeação. A cadeia
pública passava temporadas fechada, como no tempo de Jano. A não serem
"Formigão" que quando tomava um pileque danado, bancava o demagogo
comunista de hoje fazendo comícios contra o vigário, as autoridades e o cel.
Néneu, representante do capitalismo porque dava dinheiro a juros ou
"Lamparina" que quando a bebedeira saia da regra, dava para morder
que nem cachorro doido, ninguém incomodava o destacamento de três soldados
velhos e um sargento quase inválido. Tivemos um delegado, Massa, irmão do
horando senador de mesmo nome, que soltava imediatamente, relaxava a prisão,
quando o acusado jurava "por Deus nosso Senhor" como não tinha feito
nada. De uma feita correu um cachorro doente que só pôde ser morto a pedradas,
porque ninguém possuía uma arma de fogo. Ninguém receava do outro. Ninguém
tinha inimigos. Era assim a Itabaiana dos meus tempos de menino e de rapaz.
Fonte: Áurea Montenegro - Engenho Jurema
segunda-feira, 6 de março de 2017
Adeus à mestra Dona Nini
“Foi assim minha vida. Cumpri meu dever, graças a Deus; por amor a Ele, por amor ao Brasil, por amor a Itabaiana e por amor à minha terrinha que ficou lá.” Assim encerrou, a professora Severina Paes de Araújo “Dona Nini”, falecida nesta data, a entrevista concedida à Associação Cultural Memória Viva, em 05.08.2010.
Sim. Dona Nini desempenhou o magistério de forma impecável. Íntegra,
inteligente e capaz lecionou, muito bem fundamentada, várias disciplinas. E por
isso estão hoje os seus ex-alunos, unanimemente, tecendo elogios póstumos àquela
que foi, num tempo de respeito e obediência ao mestre, um forte alicerce em seus aprendizados.
Dona Nini começou sua carreira em Itabaiana – Paraíba, no Colégio
Padre Ibiapina. A seguir, foi professora e diretora no Grupo Escolar Professor
Maciel, professora de Desenho, Geografia, Psicologia e Fundamentos da Educação
no Colégio Nossa Senhora da Conceição, Geografia e Desenho no Colégio Dom
Bosco, professora e diretora do Colégio São José, e encerrou sua vida profissional
no Colégio Estadual Antonio Santiago,
onde foi docente e ocupou os cargos de vice-diretora e diretora.
quinta-feira, 2 de março de 2017
Datas
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| Manoel Germano de Araújo |
Há 122 anos.
02.03.1895 - Promulgada a Lei 27, de 02.03.1895, que criava os cargos de prefeito e subprefeito na cidade de Itabaiana(PB). Foram escolhidos Manoel Germano de Araújo e Antonio Felipe dos Santos como prefeito e subprefeito, respectivamente.
Anteriormente o município era governado por um Conselho Municipal com poder executivo. Com a Lei 27 os conselhos foram conservados, porém todos os seus atos, leis ou resoluções eram submetidos à assinatura do prefeito.
O sr. Manoel Germano de Araújo, conhecido como "Neco Germano" foi, então, o primeiro prefeito da cidade.
Fonte de referência; Sabiniano Maia. Itabaiana. Sua História-Suas Memórias. 1500-1975. A União. 1975.
quarta-feira, 1 de março de 2017
Memórias do Carnaval Itabaianense XII
Itabaiana Clube, 1977, Bloco Damas de Copa. Em pé: Valdizia, Rosinete Malta, Lourdinha de Biu Estevão, Eliana, Maria Batista, Bernadete Almeida, Ceiça Batista e Ana de Lourdes. Sentadas: Eliane Almeida, Vânia Fonseca, Rosângela Malta, Loura Oliveira, Sônia Oliveira e Vânia Almeida
Bloco As Havaianas no Itabaiana Clube, Eliane, Gina Aguiar, Rosângela Fonseca, Norma Borba e Vânia Fonseca. Foto cedida por Berta Melo.
No Itabaiana Clube, Margareth Bandeira e Bernadete Rocha.
As foliãs, Gustinha, Nair Ramos, Luizinha Duré e Dulce (esposa de Nezinho Almeida).
Carnaval 1974 no Bar de Adonias, em pé: Dr Severino, Luiz Dentão, Anselmo, Zé Borracha, Iomar Moreira, Luiz Tavares e Adonias. Sentados: Zito Coletor, Saturnino, Rui Almeida e Geraldo Lucena.
Valdemir Almeida e Farias.
Colaboração: Walter Fonseca, Valdizia, Sonia Oliveira e Zelda Lira.
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