domingo, 8 de fevereiro de 2015

Itabaiana dos meus tempos


1- Eu já vi por aqui feira de gado / Respeitada em toda região
Vi boiada com quase um quilometro / Vi usina de agave e algodão 
Vi o clássico Vila Nova e união / Vi Nana fazer o gol da partida
Itabaiana jamais és esquecida / És a pedra que dança em minha vida.
2- Eu já vi dia de segunda feira / Multidão invadir o carretel
Vi orquestra tocando ao vivo / Bossa nova até tango de Gardel
Vi desfile de mulher na avenida / Via ponte de madeira prometida
Itabaiana jamais és esquecida / És a pedra que dança em minha vida.
3- Eu já vi esse rio de canto a canto / Vi cobrindo a pedra do Ingá
Vi também sua areia em lua cheia / Rasteada por amantes do luar
Ouvi frases de amor, ouvi gemidos / Ecoando da pedra da Margarida,
Itabaiana jamais és esquecida / És a pedra que dança em minha vida.
4- Eu já vi mais de cem sapatarias / Campo Grande tinha emprego e se vivia
Vi curtume exportar o que vazia / Toda sua produção ele vendia
Vi a missa em sua capelinha / Sombreada pelas caibeiras floridas
Itabaiana jamais és esquecida / És a pedra que dança em minha vida.
5- Vi serestas em noites enluaradas / Eu vi flores colorir caramanchão
Vi conjunto de chorinho entoar / Brasileirinho bossa nova e baião
Vi também Tic-Tac golear / Vi o Chico envenenar a despedida
Itabaiana jamais és esquecida / És a pedra que dança em minha vida.

6- Eu já vi Urubu Rei decolar / E Pavão pra Brasília revoar
Vi José derrubar casa de taipa / e faze de tijolo e retelhar
Mas depois vi José tombar sem vida / A pobreza ficou mais excluída
Itabaiana jamais és esquecida / És a pedra que dança em minha vida.

Orlando Otávio

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

A Cauda do Demônio.


                                                       

Com dificuldade de distinguir o real da fantasia, as crianças, geralmente até os 6 anos de idade têm medo de máscaras. E o carnaval em nossa região era a festa mais temida por elas.  No reinado de Momo esses adereços eram muito usados,  fosse  em blocos,  ou individualmente pelos papangus, figuras que surgiram no século XIX e que permaneceram vivos por décadas.  Caracterizavam-se por brincantes que saíam às ruas vestidos, geralmente,  com roupas do outro sexo e mascarados.

E Itabaiana dos anos 50 e 60, que apresentava  um dos melhores carnavais da Paraíba, foi palco dos afinados blocos de frevo Taiobas e Pão Duro e das cadenciadas escolas de samba Imperadores do Samba, Última Hora e Acadêmicos do Ritmo, também tinha os seus grupos de  papangus.  As figuras bizarras costumavam amedrontar as crianças e parar nas casas dos amigos, desafiando-os a adivinharem quem estava por baixo daquela indumentária; isso entre risos e gargalhadas e carreiras das crianças apavoradas.

Em certo domingo de carnaval da minha infância, a convite do meu pai Zé Bandeira, entrou em nossa casa, para comes e bebes, uma turma de homens mascarados, acompanhada por orquestra de frevos.  O bloco de rua chamava-se “O diabo e suas almas”, mas havia mais diabos do que almas, devido ao grande número de rabos pontudos que eu pude observar antes de me esconder no terceiro quarto da antiga casa da Praça Epitácio Pessoa.

 Na escuridão do quarto fechado, vendo pouco, mas com os ouvidos bem atentos, eu estava inerte, só o coração batendo em louca disparada. Implorava ao meu Anjo da Guarda que levasse, mais que depressa, todos aquelas figuras assustadoras para bem longe de minha casa.

E naqueles minutos que mais pareciam horas, de súbito alguém abre a porta do quarto que era um depósito da revista “O Cruzeiro”,  de brinquedos e de uma grande mala de couro antiga onde eu estava sentada. Olhei paralisada para a porta. Um diabo entrava de mansinho com a cauda na mão. O meu medo beirava o pavor. Dirigiu-se a mim dizendo:  -“Margaret, deixa que eu guarde este rabo dentro desta mala; depois eu venho  buscar.”  O fato de ele me conhecer era o que me fazia tremer cada vez mais. Não ousei levantar os olhos. E ele saiu cantando:

‘A minha fantasia de diabo
Só falta o rabo, só falta o rabo
Eu vou botar um anúncio no jornal:
Precisa-se de um rabo
Pra brincar no carnaval’

Dias depois estaciona uma Harley Davidson em frente de casa. Era Valdemar Cavalcanti, tio de Otto Cavalcanti. Veio buscar o rabo de sua fantasia.


Margaret Bandeira





sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Itabaiana sedia primeiro evento cultural em comemoração ao sesquicentenário de Leandro Gomes de Barros

                                          Fábio Mozart e Sander Lee, organizadores da Academia


Neste sábado, 24 de janeiro, será instalada a Academia de Cordel do Vale do Paraíba, na cidade de Itabaiana, Paraíba, às 20 horas, na Casa de Recepção Finesse. A entidade congregará poetas cordelistas dos Estados da Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte. Entre os membros, estão os poetas Sander Lee, Fábio Mozart, Antonio Costta, Bob Motta, Valbam Lopes, Pádua Gomes Gorrion, Luciene Soares, Lorena Alysson, Eduardo Viana, Heleno Alexandre, Biu Salvino, Josafá De Orós, Rui Vieira, Sander Brown, Carlos Aires, Orlando Otavio, Vavá da Luz, João Bernardo da Silva, Agenor Otávio, Evânio Teixeira, Beto Lucena e outros. O evento abre as comemorações de 150 anos de nascimento do poeta popular paraibano Leandro Gomes de Barros, considerado o pai da literatura de cordel.

Participarão da festa do cordel o Secretário de Estado da Cultura da Paraíba, Lau Siqueira, o Presidente da Academia Paraibana de Letras, Damião Ramos Cavalcanti, a Presidente da Academia Feminina de Artes e Letras da Paraíba, Bernardina Freire, a pesquisadora de Literatura de Cordel da UFPB, Beth Baltar, a Chefe da Divisão do IPHAEP, Rosane Coutinho Pereira Lacet e o Presidente da Associação dos Aposentados dos Correios, Valdemir Almeida, além do jornalista Dalmo Oliveira, representando o Coletivo de Jornalistas Novos Rumos.

A atividade tem apoio da Fundação Casa de José Américo, de João Pessoa, e Secretaria Municipal de Cultura, além do Ponto de Cultura Cantiga de Ninar. Na ocasião, o xilogravurista Josafá de Orós fará exposição de gravuras de paraibanos ilustres, que fazem parte do projeto  “Paraíba Grandes Nomes: A Xilogravura e o Cordel, Apresentando Importantes Personalidades do Estado”. Também será relançado o cordel “Biu Pacatuba, um herói do povo paraibano”, de Fábio Mozart, ganhador do Prêmio Patativa de Assaré, do Ministério da Cultura.

Entre os objetivos da Academia, está o de fomentar a cultura do cordel, através de oficinas para poetas, estudantes e pesquisadores, como também promover a publicação de novos títulos para enriquecer o universo da Literatura de Cordel. “Convidamos o povo da Paraíba para o grande recital de cordel, sendo este ato o primeiro evento do ano para comemorar o sesquicentenário de Leandro Gomes de Barros, pombalense considerado o pai da literatura de cordel”, disse Sander Lee, presidente da entidade.

Contato: (83) 9628.4756

Fábio Mozart

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Foto da Cruz do Deserto


Em postagem de 19.01.14 escrevemos texto sobre as lendas da conhecida "Fazenda do Coronel João Nunes", sendo uma delas "A Cruz do Deserto". 

A Memória Viva recebeu de Silvana Pessoa, proprietária da fazenda, a foto da capela, construída em 1936 e tema daquela lenda.

Leia  "Lendas itabaianenses" em:

http://itabaianapbmemoria.blogspot.com.br/2014/01/lendas-itabaianenses-lagoa-do-arua-e.html

domingo, 27 de julho de 2014

Fotografia e Memória XVI

                
 Tiro de Guerra 125 de Itabaiana-Paraíba em fins dos anos 30 do século passado. Funcionou na Praça Epitácio Pessoa. No registro as presenças do Sr. Nicácio Gouveia, Prefeito Antonio Santiago (mandato 1938 a 1940) e Gustinha Almeida Lucena, madrinha da instituição. Foto cedida por Gerusa Lucena Rocha.

domingo, 22 de junho de 2014

Eleita Nova Diretoria da Associação Cultural Memória Viva Itabaiana Paraíba para o biênio 2014/2016



A Associação Memória Viva, de Itabaiana, elegeu e empossou uma nova diretoria na noite desta quinta-feira (19), em assembleia realizada na sede da Secretaria Municipal de Cultura. A eleição foi por aclamação em chapa única, tendo como Presidente a psicóloga Margaret Ligia Santiago Bandeira, vice-presidente Luciano Marinho, Secretária Telma Lopes, tesoureiro Genilson Medeiros e o professor Francisco Amancio como diretor de patrimônio. O estudante Artur Nóbrega consta na diretoria eleita como Relações Públicas, além de Rose Luna, Renato Almeida e Geraldo Aguiar como membros do Conselho Fiscal.

No discurso de posse, a nova Presidente Margaret Bandeira disse que o objetivo em seu mandato, além de continuar o trabalho cultural de preservação da cultura e da memória da cidade e de organização de eventos culturais, é conseguir um prédio para o funcionamento da entidade. A Memória Viva é uma associação civil de direito privado, sem fins lucrativos, tendo como objetivos, entre outros: promover a identidade cultural do município, valorizando seus bens materiais e imateriais; produzir ações de resgate da memória histórica passada e preservação da história contemporânea; implementar programas que possibilitem o pleno exercício da cidadania política, econômica e cultural para o desenvolvimento da qualidade de vida da população. 

Artur Nóbrega - Diretor de Relações Públicas